segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Radar da Inclusão 2026 busca realidade sobre mercado de trabalho da pessoa com deficiência no Brasil

 Por Jornalismo Diário PcD

31/07/2026






Levantamento realizado pela Talento Incluir, Pacto Global da ONU e Instituto Locomotiva busca atualizar informações e aprofundar entendimento sobre desafios estruturais, saúde mental e inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.



A Talento Incluir já iniciou a coleta dos dados para a 3ª edição da pesquisa “Radar da Inclusão 2026: empregabilidade de pessoas com deficiência”, em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e realização do Instituto Locomotiva – com o apoio do Diário PcD.

O levantamento tem como objetivo atualizar o cenário nacional do tema no mercado de trabalho, identificar barreiras persistentes e gerar dados que contribuam para o emprego digno, a construção de políticas e estratégias mais eficazes nas empresas.

A pesquisa pode ser respondida por pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, com 18 anos ou mais, de todo o Brasil, até dia 14/8 diretamente no link https://hubs.ly/Q04pX-P90

O resultado da análise deve ser divulgado em setembro deste ano.

Com um questionário mais enxuto, acessível e com tempo médio de resposta de cerca de 15 minutos, a nova edição busca ampliar a taxa de participantes e garantir uma base ainda mais representativa.

Evolução da metodologia e foco mais estratégico

Sempre em evolução, a nova plataforma traz os seguintes avanços:

  • Redução do tempo de preenchimento;
  • Simplificação da linguagem, com foco em acessibilidade comunicacional;
  • Priorização de temas diretamente relacionados ao mercado de trabalho;

Novos temas: saúde mental e qualidade da inclusão

Entre as novidades desta edição, está a inclusão estruturada de perguntas sobre o impacto do trabalho na saúde mental das pessoas com deficiência, abordando o tema de forma mais direta. A iniciativa responde a um dos principais achados da edição anterior e amplia o olhar sobre inclusão para além do acesso ao emprego, considerando também permanência, bem-estar e desenvolvimento

RESULTADOS ANTERIORES

Os resultados dos levantamentos feitos em 2024 e 2025 apontam que a inclusão ainda enfrenta desafios estruturais relacionados ao capacitismo, acessibilidade, permanência e desenvolvimento de carreira

Radar da Inclusão 2024: principais achados

Em 2024, a 1ª edição ouviu 1.230 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, maiores de 18 anos, em âmbito nacional. O principal destaque da pesquisa foi que 9 em cada 10 profissionais (90%) já sofreram capacitismo no ambiente de trabalho. Embora 84% dos episódios tenham ocorrido enquanto a pessoa estava empregada, apenas 35% relataram o caso à empresa. Além disso, entre aqueles que denunciaram, 4 em cada 10 não se sentiram acolhidos ou respeitados pela empresa.

Naquela edição, a pesquisa mostrou que 8 em cada 10 pessoas já se sentiram prejudicadas profissionalmente por terem deficiência ou neurodivergência. Embora 76% afirmem que sua condição não interfere ou pode até contribuir positivamente para o trabalho, 6 em cada 10 acreditam que ela reduz as chances de conseguir um bom emprego.

Já na edição de 2025 foram 1.765 participantes e a pesquisa ampliou o olhar para temas como acessibilidade, carreira e saúde mental. O destaque foi que 56% dos profissionais já enfrentaram barreiras de acessibilidade que prejudicaram seu desempenho e bem-estar no trabalho.

Embora tenha apresentado leve redução em relação a 2024, ao menos 86% já sofreram capacitismo no ambiente de trabalho. Apenas 23% dos que sofreram capacitismo reportaram o caso à empresa e entre os denunciantes, 78% afirmaram não se sentir totalmente acolhidos.

A pesquisa evidenciou dificuldades de crescimento profissional. Para os participantes, 66% acreditam que as oportunidades oferecidas pelas empresas não são equânimes, enquanto 67% nunca foram promovidos no emprego atual e 41% dos profissionais estavam há mais de três anos na mesma empresa.

Um dos dados inéditos da edição 2025 apontou que 77% não se sentem totalmente confortáveis para falar sobre saúde mental com RH ou lideranças.

Ao Diário PcD, Tábata Contri, Consultora de Diversidade, Equidade e Inclusão da Talento Incluir afirmou que “os dados das duas edições convergem para uma mesma conclusão: o desafio da inclusão não está apenas na contratação, mas principalmente na permanência, no acolhimento, na acessibilidade e nas oportunidades de desenvolvimento de carreira. Embora haja avanços no cumprimento das cotas, a experiência cotidiana de profissionais com deficiência e neurodivergentes ainda é marcada por capacitismo, barreiras estruturais e dificuldade de crescimento profissional”.



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