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O relógio começou a correr para os municípios brasileiros. Com a publicação da Lei nº 15.388/2026, que instituiu o Novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036), as prefeituras e secretarias de educação têm uma missão urgente: revisar, adequar e aprovar os seus Planos Municipais de Educação (PMEs).
Desta vez, o desafio vai muito além de um processo burocrático. O foco mudou radicalmente: saem os planos baseados apenas no acesso a matrículas e entram metas rígidas de permanência, aprendizado real, equidade e inclusão.
Se a sua equipe técnica está iniciando esse processo, confira este guia prático com os passos fundamentais para estruturar o novo PME sem erros.
1. Fique atento aos prazos legais
O novo PNE estabeleceu prazos estritos para a cadeia de governança educacional. Os municípios possuem exatamente 15 meses (a contar da sanção da lei federal) para aprovar o texto final do PME nas Câmaras de Vereadores. Perder esse prazo pode travar o recebimento de recursos voluntários e gerar apontamentos pelos Tribunais de Contas.
2. Faça um diagnóstico demográfico e pedagógico real
O maior erro de um município é copiar e colar o plano nacional. O PME deve refletir a realidade do seu território. Antes de redigir qualquer linha, responda a estas perguntas:
- Qual é a real fila de espera por vagas em creches (0 a 3 anos)?
- Como estão as taxas de alfabetização ao final do 2º ano do Ensino Fundamental na rede?
- Quantas escolas possuem infraestrutura viável para o Ensino em Tempo Integral?
3. Convoque o Fórum Municipal de Educação e a Sociedade
A elaboração do PME exige governança colaborativa. É obrigatória a atuação do Fórum Municipal de Educação (FME), unindo gestores, professores, pais, alunos e conselhos (CACS-Fundeb, CAE e CME). Promova audiências públicas transparentes para que as metas reflitam os anseios da comunidade e ganhem legitimidade antes do envio do projeto de lei à Câmara.
4. Adapte as metas às novas regras de Inclusão
A educação inclusiva ganhou novos rumos com o Decreto Federal nº 12.773/2025. O seu PME deve prever:
- O fim da exigência de laudo clínico para o atendimento no AEE, priorizando o estudo de caso pedagógico.
- A institucionalização do Plano Educacional Individualizado (PEI).
- A estruturação do Ensino Colaborativo (Co-docência) entre professores regentes e especialistas.
5. Amarre o PME ao Orçamento Municipal (PPA, LDO e LOA)
Meta sem orçamento é apenas um desejo. A lei exige que todas as diretrizes de expansão, contratação de profissionais e reformas de acessibilidade previstas no PME estejam explicitamente integradas ao Plano Plurianual (PPA) e detalhadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Conclusão: O PME é o futuro da sua cidade
Construir o novo Plano Municipal de Educação é desenhar o rumo do desenvolvimento social do município para os próximos dez anos. É a chance de criar uma rede de ensino mais justa, tecnológica e inclusiva.
Sua secretaria já iniciou as comissões de estudo para o PME?

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