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Uma das realidades mais complexas no chão da escola é o manejo de momentos de desregulação.
O Ministério da Educação (MEC) orienta que não existe um protocolo único e engessado ("receita de bolo") para crises de estudantes autistas. Como o espectro é singular, a indicação central do MEC e das diretrizes da Educação Especial Inclusiva é focar na prevenção, na eliminação de barreiras e na individualização do atendimento.
Para isso, o MEC recomenda articular o PEI (Plano de Ensino Individualizado) e o PAEE (Plano de Atendimento Educacional Especializado) para mapear os gatilhos e estabelecer estratégias prévias de autorregulação.
Orientação Geral do MEC: Ações Pré, Durante e Pós-Crise
1. Ações Preventivas (O que o MEC enfatiza)
Previsibilidade e Antecipação: Organizar a rotina com quadros visuais e avisar com antecedência sobre mudanças de ambiente ou atividade.
Adequação Sensorial: Mapear estímulos que causam sobrecarga (ruídos excessivos, luzes fortes, aglomerações) e oferecer alternativas, como abafadores de som ou cantinhos de pausa sensorial.
Comunicação Alternativa (CAA):
Disponibilizar pranchas ou cartões de comunicação para que o estudante possa sinalizar quando estiver cansado ou sobrecarregado antes de atingir o pico de estresse.
2. Durante a Crise (Acolhimento e Segurança)
Diante de uma crise (seja de desligamento/shutdown ou de sobrecarga/meltdown), as orientações gerais de manejo em ambiente educacional incluem:
Garantir a segurança física: Remover objetos perigosos ao redor e afastar outros alunos com tranquilidade para preservar a integridade e a privacidade do estudante.
Reduzir estímulos imediatamente: Diminuir barulhos no entorno, apagar luzes fortes e evitar aglomeração de pessoas ao redor do aluno.
Manter a calma e escuta não invasiva: Usar tom de voz baixo, pausado e frases curtas.
Evitar dar ordens complexas, fazer muitas perguntas ou tentar "discutir a regra" naquele instante. Evitar contenção física desnecessária: A contenção só deve ocorrer em casos extremos de risco iminente de autoagressão ou heteroagressão grave. Segurar o aluno à força pode intensificar a desregulação e causar traumas.
Espaço de regulação: Conduzir (sem força física) o estudante para um local calmo e seguro, respeitando o tempo dele para reorganização.
3. Pós-Crise
Acolhimento e descanso: O desgaste biológico e emocional pós-crise é intenso. Deve-se permitir que o estudante descanse e recupere as energias sem cobranças imediatas.
Registro no Estudo de Caso: Registrar o contexto em que a crise ocorreu (o que aconteceu antes, qual era o ambiente) para revisar e aprimorar o PEI e o PAEE.
Ponto de atenção no debate público: Atualmente, educadores e especialistas cobram do governo federal a criação de uma Diretriz Nacional Unificada para Gerenciamento de Crises. Hoje, a responsabilidade de regulamentar os protocolos operacionais práticos acaba caindo sobre as secretarias municipais e estaduais de educação em parceria com as equipes de AEE local.

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