Em 2026, novas diretrizes para a educação inclusiva entram em vigor, reafirmando direitos garantidos pela e pela .
No papel, tudo é inclusivo.
Na prática, quem sustenta a política somos nós, professores.
Eu escrevo como docente da escola pública.
Escrevo como homem que adquiriu uma deficiência após um AVC.
Eu vivo a inclusão dos dois lados.
E preciso dizer:
Inclusão sem estrutura não é inclusão.
É abandono institucional disfarçado.
Não se faz inclusão com:
- Turmas superlotadas
- Falta de profissionais de apoio
- Ausência de formação prática
- Escassez de recursos adaptados
- Pressão por resultados padronizados
O professor não é o problema.
O professor está sobrecarregado.
Meus colegas querem incluir.
Querem acertar.
Mas estão exaustos.
A inclusão verdadeira exige:
Investimento real
Formação continuada
Redução do número de alunos por turma
Equipe multiprofissional
Planejamento remunerado
Sem isso, a política vira discurso.
E eu afirmo com clareza:
Não aceitarei que a inclusão seja construída às custas do adoecimento docente.
Não aceitarei que a responsabilidade seja transferida para quem já mantém a escola funcionando.
Inclusão é direito do aluno.
E também é direito do professor trabalhar com dignidade.
A escola pública merece mais que aplausos institucionais.
Merece estrutura.
Merece compromisso.
Merece respeito.
Quem está na sala de aula sabe:
A inclusão real começa quando o discurso termina.

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