Vamos ser francos: em muitas escolas, o maior obstáculo para o aluno com deficiência não é a deficiência é o professor. Não aquele professor comprometido, que estuda, adapta, cria e se reinventa. Falo do professor que ainda acredita que inclusão é “fazer o possível”, quando na verdade está fazendo o mínimo.
O capacitismo docente se esconde atrás de frases como “coitadinho”, “ele não acompanha”, “não tem condições”, “não é para ele”. Parece cuidado, mas é controle. Parece proteção, mas é exclusão. É a velha lógica da normalidade travestida de pedagogia.
Sassaki já explicou que a deficiência não está na pessoa, mas nas barreiras criadas pela sociedade. E, convenhamos, algumas das barreiras mais resistentes estão dentro da sala de aula: infantilização, superproteção, atividades simplificadas ao extremo, avaliações que não avaliam nada, e aquela mania de achar que o aluno com deficiência é responsabilidade do AEE, como se o professor da sala regular estivesse ali apenas para os “normais”.
Vygotsky diria que, quando o professor decide que o aluno não aprende, ele não está descrevendo um fato está decretando uma sentença. E muitos decretam sentenças diariamente, sem perceber.
A escola continua esperando um aluno padrão, e qualquer um que fuja desse molde vira “problema”. Mantoan já cansou de repetir: inclusão não é encaixar o aluno no sistema, é transformar o sistema. Mas transformar dá trabalho e é mais fácil culpar o aluno.
No fim, a pergunta que mais dói é também a mais necessária:
Você está ensinando para todos ou apenas para quem confirma a sua ideia de normalidade?
Se a resposta incomoda, ótimo. É sinal de que ainda há espaço para mudança.

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